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Gazeta Paços de Ferreira

18/07/2026, 10:10 h

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Senhor Ministro, a Educação não sobrevive ao improviso

Educação Opinião

OPINIÃO

A Educação é uma área demasiado importante para ser governada através da tentativa-erro.
A Educação é o pilar do desenvolvimento de qualquer país, diria mesmo, o maior instrumento de igualdade social e de investimento futuro.

Por Sílvia Azevedo (Presidente e Diretora Pedagógica do Conselho de Administração da Academia Profissional Prof. Albino de Matos)

 

Atualmente, vivemos num verdadeiro estado de sítio. Está um caos instalado… seja na correção digital dos exames nacionais, nas reformas precipitadas, ou na incapacidade de as executar, seja instalação de novas metodologias. Quando um aluno sai prejudicado por erros do sistema, quando professores denunciam falhas na digitalização das provas e quando a credibilidade da avaliação nacional fica em causa, já não estamos perante um problema técnico, mas sim perante uma incompetência de gestão.  Quando se extingue e ou reconfigura as direções-gerais e os serviços de um dia para outro, sem estratégia e quando essas estruturas são desmanteladas, sem competências redistribuídas… a consequência disto tudo é previsível - CAOS ! E é isto que estamos todos a viver na Educação! O CAOS!

 

O Ministro da Educação tem insistido numa sucessão de reformas que parecem não obedecer a uma visão estratégica. Ao mesmo tempo, as escolas continuam a ser confrontadas com alterações pedagógicas sucessivas, novas plataformas, novos procedimentos administrativos e novas exigências burocráticas, quase sempre sem o tempo necessário para adaptação e sem ouvir verdadeiramente quem conhece a realidade educativa: professores, diretores, técnicos e restantes profissionais. Não se consegue contacto direto com nenhum técnico de referência, porque agora não existem, e não se recebe apoio atempadamente nem para esclarecer dúvidas, nem para receber pareceres, até porque agora, as orientações são claras - “tudo por plataforma”. Mesmo que  não funcione! O CAOS!

 

 

 

 

Reformar não é destruir para voltar a construir. Reformar é melhorar aquilo que existe, corrigir o que não funciona e criar estabilidade para que as mudanças produzam resultados. Infelizmente, a sensação que hoje tenho é exatamente a oposta, isto é, muda-se por mudar, reorganiza-se por reorganizar e anuncia-se inovação sem garantir que ela funciona.

 

A Educação exige liderança, competência e visão. Exige decisões ponderadas e não soluções improvisadas. 

 

Um país que trata a Educação como um laboratório está, na verdade, a comprometer a qualidade da sua democracia, da sua economia e das oportunidades das próximas gerações.

 

É tempo de devolver a estabilidade e competência ao sistema educativo.

 

 

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