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Gazeta Paços de Ferreira

12/09/2026, 9:55 h

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Gostava Muito de te Ver… Leãozinho

Desporto Futebol Opinião Pedro Queirós

DESPORTO

O futebol está cada vez mais formatado. No fundo, os criativos, os brinca na areia, perderam espaço.

Por Pedro Queirós

 

Percebemos que praticamente já não há espaço para o 10 clássico, o vagabundo, que andava à solta entre os médios e o avançado. Os extremos irreverentes e fortes no 1 para 1 também são poucos e das duas uma: ou começam a abrir o livro logo no início, ou acabam substituídos por alguém que seja mais disciplinado nas suas funções e não perca tantas vezes a bola.

 

Rafael Leão é um deles. Cresceu no Sporting, onde, ainda criança e sem as tranças, fez um golo no Dragão a Iker Casillas. Brilhou no Lille e atingiu o auge em Milão. Foi, de muito longe, o melhor jogador da época em que o AC Milan foi campeão e ficou por aí… a magia ainda está lá, a vontade é que não. As duas últimas épocas foram de altos e baixos. Tão depressa era um corpo presente, como de repente se tornava o melhor em campo.

 

Podia ser uma das estrelas da seleção e do futebol europeu… decidiu ir para o Galatasaray. Entregou-se ao dinheiro (que já não devia ser pouco em Milão) e colocou o futebol de lado. O Galatasaray é grande, tem uma base de adeptos enorme e apaixonada, joga Liga dos Campeões e bla bla bla… está a anos luz do AC Milan. Estando na Itália, os grandes clubes estão daí para cima e não daí para baixo.

 

Rafael Leão nunca quis crescer. O seu compromisso defensivo é quase nulo. É verdade que o seu sorriso sempre que tem a bola e a facilidade que tem em fintar e em finalizar são atributos que atraem qualquer adepto de futebol. Se nenhum tubarão europeu lhe pegou é porque sabe que teria um jogador apenas para quando lhe apetece.

 

 

 

 

Claro que me desilude. Porque sou um admirador. Tive a sorte de ir a Milão ver um AC Milan vs Lecce em que Rafael Leão fez os dois golos que deram os três pontos à sua equipa. Comprei uma camisola e queria estampar o seu nomes. Estava esgotado. Num dos maiores clubes da Europa. Três ou quatro anos depois, em vez de estar nas capas de todos os jornais, nos ecrãs das grandes cidades… está em Istambul.

 

E não… Rafael Leão não se afastou dos grandes palcos por ser irreverente ou não se encaixar na equipa. Sai porque quer, porque se fechou um ciclo e ele não se soube posicionar para dar o salto. Talvez tenha prolongado demasiado a sua estadia em Milão e não estivesse com a cabeça lá já há algum tempo, mas todos sabemos que o lugar dele não seria Istambul, mas sim Londres, Madrid, Barcelona ou Manchester.

 

Mesmo na seleção, tem qualidade para ser um inquestionável titular e muitas vezes começa no banco. O futebol turco é bem melhor que o árabe, por onde anda João Félix, outro diferenciado que se afastou dos grandes palcos depois de várias tentativas falhadas em grandes europeus (mas com muita má gestão de carreira pelo meio), mas demonstra uma falta de ambição gritante para alguém com a sua qualidade.

 

 

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