12/09/2026, 10:33 h
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OPINIÃO
Por Mafalda Leal (Membro da Juventude Socialista de Paços de Ferreira)
Cada vez mais as pessoas utilizam as redes sociais como meio de informação. Quando acordamos já não vamos ler o jornal para nos informar; em vez disso, abrimos o TikTok para ver o que há de novo.
Sendo assim, a política também passou a acontecer nas redes sociais, e os partidos começaram a fazer muito as suas campanhas no TikTok ou no Instagram.
Mas até que ponto esta troca dos meios de comunicação para as redes sociais influenciou a política?
Ao início, tratar a política nas plataformas digitais parece uma boa ideia, pois é uma maneira fácil e rápida de comunicar com os cidadãos.
Para além disso, as redes sociais podem aproximar os jovens da política, tornando temas, que muitas vezes parecem complicados, mais fáceis de conhecer e discutir.
Uma pessoa que nunca procuraria um debate político na televisão pode acabar por encontrar um vídeo sobre eleições enquanto utiliza o TikTok ou o Instagram.
O problema é que, nestas mesmas plataformas, o que passou a circular foram vídeos que trazem likes e partilhas, ou seja, vídeos que chamassem a atenção da população. É por isso que o que mais vemos no TikTok são vídeos curtos engraçados e não vídeos a falar de propostas concretas.
Essa lógica reduz o eleitor a um mero espectador passivo, gerando desinteresse pelos temas políticos sérios e aumentando a vulnerabilidade a discursos populistas fáceis.
Em vez de avaliar propostas reais, as pessoas acabam por escolher líderes baseando-se apenas na emoção do momento ou naquilo que é mais divertido de ver.

Outro problema é a desinformação. Nas redes sociais, uma informação falsa pode espalhar-se rapidamente, antes de ser possível verificar se é verdadeira.
Durante períodos eleitorais, isto pode ser particularmente preocupante, porque os cidadãos precisam de ter acesso a informação fiável para tomar decisões conscientes.
Se as pessoas basearem o seu voto apenas em vídeos ou publicações que aparecem no seu feed, existe o risco de conhecerem apenas uma pequena parte da realidade.
Apesar destes problemas, não considero que a solução seja afastar a política das redes sociais. Pelo contrário, estas plataformas podem ser uma ferramenta importante para aproximar os cidadãos dos seus representantes.
O mais importante é que as redes sociais sejam utilizadas como uma forma de complementar a política, e não como o seu único espaço.
Em conclusão, a política tornou-se claramente dependente das redes sociais, tanto para comunicar como para conquistar a atenção dos eleitores.
Essa dependência pode aproximar os políticos dos cidadãos, mas também pode incentivar a superficialidade e a desinformação. Por isso, é importante saber utilizar as redes sociais de forma crítica e não confundir popularidade na internet com qualidade política.
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