14/03/2026, 10:09 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)
Nos últimos meses, Pedro Passos Coelho regressou à ribalta com diversos comentários sobre a atual direção do governo. PPC não se poupou nas críticas, acusando o governo de não se concentrar no seu trabalho e alertando para reformas tímidas que o mesmo está a implementar. Com a segunda eleição de Montenegro a ocorrer há menos de um ano, o antigo Primeiro-Ministro já partiu para o ataque, que não parece ter fim à vista.
A entrada de PPC mereceu resposta por parte de Montenegro. Em vez de se “focar no seu trabalho”, o PM convocou eleições internas no PSD, desafiando indiretamente o antigo parceiro do PSD a concorrer contra ele numas eleições. Apesar de ser uma jogada sem risco, Montenegro acaba por cair nas provocações de PPC e faz uma jogada idêntica à de André Ventura: convocar eleições internas quando sabe que não terá concorrência. Se Montenegro esperava que as críticas parassem com esta decisão, o mesmo não podia estar mais enganado, porque acaba por provar que o seu foco não está exclusivamente na governação, mas também na manutenção do seu estatuto de líder intocável dentro do partido. Montenegro já não é conhecido por lidar bem com críticas, e este é apenas mais um caso que corrobora esta ideia.

Para além do renascimento de Passos Coelho, André Ventura começou a proclamar-se líder da direita e Cotrim de Figueiredo criou o movimento 2031. Com o resultado desastroso de Marques Mendes, Montenegro saiu fragilizado e deu destaque a diversas personalidades suas opositoras de direita. Se olharmos para o outro lado do espetro, José Luís Carneiro não apresenta uma grande oposição ao PSD, porque se eleições fossem convocadas, o mesmo certamente sairia a perder. O cenário político dos próximos tempos ficará marcado por uma viragem ainda mais à direita, já que as múltiplas oposições ao primeiro-ministro aparecem do lado direito do hemiciclo.
Com a janela de Hondt mais à direita da última década, a inexistência de uma oposição forte, firme e com destaque de esquerda revelar-se-á uma perda para todos os portugueses. Se inicialmente os acordos com o PS davam esperança sobre a manutenção de serviços públicos, direitos dos trabalhadores e apoio aos mais frágeis, a multitude de personalidades de direita a ganhar destaque (com principal foco no ex-primeiro-ministro) só arrastará Montenegro ainda mais para políticas protecionistas e conservadoras. Infelizmente, é difícil prever quando este ciclo conservador terminará, mas nunca esqueçamos: em pouco tempo se desconstroem anos de progresso.
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