13/09/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Célia Carneiro (Presidente de Mulheres Social Democratas de Paços de Ferreira)
Mas o verdadeiro regresso às aulas começa muito antes. Começa em casa. Começa nas conversas à mesa, no incentivo de quem diz “tenta outra vez”, no abraço depois de um dia difícil, no exemplo que ensinamos sem sequer percebermos que estamos a ensinar.
E talvez importe questionar que mochila queremos entregar aos nossos filhos. Porque uma criança não chega à escola apenas com uma mochila. Chega com aquilo que recebeu, com as oportunidades que teve, com a confiança que construíram nela e, tantas vezes, com os sonhos que alguém lhe ensinou a acreditar que pode alcançar. É por isso que falar de educação é falar muito mais do que de salas de aula, manuais ou resultados escolares.
É falar de igualdade de oportunidades. É garantir que o lugar onde uma criança nasce não determina até onde pode chegar. É reconhecer o papel insubstituível das famílias e dos professores. É criar comunidades onde cada criança possa descobrir os seus talentos e desenvolver o seu potencial.
Num mundo em que a inteligência artificial e a tecnologia estão a transformar a forma como aprendemos, trabalhamos e como nos relacionamos, precisamos de preparar os nossos jovens para aquilo que ainda não conhecemos. E isso exige mais do que conhecimento. Exige pensamento crítico, criatividade, autonomia, empatia, capacidade de adaptação e coragem para recomeçar.

Também o desporto, a cultura e a participação cívica têm um papel fundamental nesta construção. Ensinam disciplina, responsabilidade, respeito, trabalho em equipa e, talvez uma das lições mais importantes, que uma derrota não precisa de ser o fim da história.
Em Paços de Ferreira, investir nas nossas crianças e jovens é investir no futuro do concelho. Significa criar condições para que cada um possa crescer não apenas para ser um bom profissional, mas para ser uma boa pessoa e um cidadão ativo na comunidade.
Acredito que uma sociedade verdadeiramente desenvolvida se mede também pela capacidade de abrir portas a quem está a começar. Por isso, neste regresso às aulas, talvez a pergunta mais importante não seja “o que vão aprender este ano?”, mas sim “Que pessoas queremos ajudar a formar?”
Porque o primeiro dia de aulas não começa quando toca a campainha. Começa muito antes, cada vez que uma criança ouve alguém dizer: “Eu acredito em ti.” E talvez seja essa a primeira lição de que todas as outras precisam.
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