24/09/2026, 9:54 h
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Educação Editorial Opinião Álvaro Neto
EDITORIAL
Por Álvaro Neto (Diretor da Gazeta de Paços de Ferreira)
Em matemática e leitura, os estudantes portugueses recuaram para níveis próximos de 2006. Em média, revelam hoje um atraso equivalente a um ano e meio de aprendizagem em relação aos colegas que fizeram o teste em 2015. Dez anos depois, estão claramente piores.
As causas deste declínio são múltiplas. O relatório aponta para um uso excessivo da tecnologia, para a perda crescente da capacidade de concentração e para um recuo mais acentuado nas tarefas de leitura que exigem pensamento crítico. Basta percorrer os manuais do 5.º ao 9.º ano para perceber que muitos afastam os jovens da leitura: são pesados, descontextualizados e pouco ligados às referências dos mais novos. Grande parte dos textos não desperta interesse. A avaliação também não ajuda: os testes incluem poucas perguntas de desenvolvimento e privilegiam a escolha múltipla, reduzindo a exigência interpretativa. Porque não se intensifica a escrita de textos em vários géneros e registos?
O PISA retrata os jovens de 15 anos, mas os seus efeitos prolongam‑se nos anos seguintes. E quando a escola falha, não falha da mesma forma para todos. O facilitismo é o maior inimigo dos pobres e da mobilidade social. Uma família com recursos compensa a falta de exigência com explicações; uma família pobre depende exclusivamente da escola pública. Ou aprende ali, ou não aprende em lado nenhum.
Exigir não é excluir. Exigir é acreditar que todos podem aprender com professores valorizados, currículos sólidos, avaliação séria e apoio atempado. Portugal tem de tratar a educação como a sua principal política de desenvolvimento. Não há futuro possível sem uma escola que ensine mais, melhor e para todos.
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