07/11/2026, 10:54 h
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Opinião Opinião Politica Juventude Socialista
OPINIÃO POLÍTICA
Por Hélder Martins (Membro da Juventude Socialista de Paços de Ferreira)
Quem acampa numa praça não o faz por gosto. Fá-lo porque a casa, que devia ser um direito básico, tornou-se um luxo. Os jovens portugueses só saem de casa dos pais aos 28,9 anos, três anos acima da média europeia, e o Eurostat aponta o custo da habitação como causa principal. Não é uma minoria, é uma geração inteira.
Quando um primeiro-ministro pede a essas pessoas que não sejam egoístas, inverte a lógica da situação. O egoísmo não está em quem pede um teto, mas em quem governa de costas voltadas para quem o procura.
O mesmo distanciamento aparece na resposta do Ministério da Administração Interna. Em vez de reconhecer o problema, o ministro limitou-se a repetir que a lei é para ser cumprida. A lei é, de facto, para cumprir, mas é necessário saber quando a frieza se torna insensibilidade, e a atuação da polícia tem sido um dos maiores motores de revolta.

A brutalidade com que as forças de segurança avançam sobre os manifestantes é a mais recente demonstração de poder político e de repressão. Pessoas detidas, feridas, numa manifestação pacifica, parece um pouco exagerado, já viram o que se passa lá fora?
Mais grave é o silêncio sobre as causas. Atribuir a crise da habitação a governos passados, ou acusar a esquerda de explorar o descontentamento, é fugir ao essencial. É certo que isto é um problema antigo, mas quem governa agora tem a responsabilidade de responder agora. Culpar o passado e desconfiar de quem protesta não põe ninguém a dormir debaixo de um teto.
Um governo que reduz um grito de aflição a um problema de ordem pública perde a autoridade para pedir confiança. As leis foram feitas para proteger as pessoas. Desmontar um acampamento sem responder á razão que que o levantou é cumprir a letra e falhar o propósito.
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