Por
Gazeta Paços de Ferreira

18/06/2026, 0:00 h

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Uma economia que cresce sem as pessoas não é progresso

Destaque Editorial Álvaro Neto

EDITORIAL

Multiplicam‑se os anúncios de que a economia nacional está a crescer. O Governo celebra indicadores positivos, as instituições financeiras destacam o aumento das exportações e os relatórios internacionais elogiam a estabilidade macroeconómica. Mas, perante este cenário tão triunfalista, impõe - se uma pergunta:
Cresce para quem?

Por Álvaro Neto (Diretor da Gazeta de Paços de Ferreira)

 

Porque, enquanto os números brilham, a vida de milhares de famílias continua presa a uma realidade bem menos luminosa. Os salários não acompanham a inflação, as rendas atingem valores incomportáveis, os bens essenciais encarecem mês após mês. E, no meio disto tudo, trabalhadores que cumprem, produzem e sustentam a economia veem o seu poder de compra encolher.

 

Esta contradição não é acidental — é estrutural. A riqueza criada no país está a ser distribuída de forma profundamente desigual. De um lado, acumulam‑se lucros recorde(a SONAE fechou o 1º trimestre de de 2026 com lucros de 47 milhões-subida de 11% face ao mesmo período do ano passado), muitas vezes alimentados por setores protegidos, rendas monopolistas e benefícios fiscais que não chegam ao cidadão comum. Do outro, cresce a precariedade, a ansiedade económica e a sensação de que o esforço de muitos serve para alimentar o privilégio de poucos.

 

Um país que se diz moderno não pode aceitar que trabalhadores pobres se tornem uma categoria permanente. Não pode normalizar que jovens qualificados adiem projetos de vida porque o mercado de habitação os exclui, ou se vejam forçados a emigrar. Não se pode permitir que a economia avance enquanto a sociedade recua.

 

O progresso económico só é verdadeiro quando melhora a vida das pessoas — todas as pessoas, não apenas uma minoria. E isso exige escolhas políticas claras: salários dignos, habitação acessível, serviços públicos fortes, combate à especulação e uma fiscalidade que distribua, em vez de concentrar.

 

Este jornal regional, atento ao que se passa nas ruas, nas empresas e nas famílias da nossa comunidade, defende que o crescimento económico deve ser um instrumento de justiça social — não um espelho que distorce a realidade.

 

A pergunta que deixamos é simples e urgente:

 

Queremos uma economia que cresce para poucos ou uma economia que cresce para todas as pessoas?

 

 

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